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Antropologia sob ataque 3

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E houve mais um lance nessa história da Veja x EVC.

Confira aqui a troca de emails entre a revista e o antropólogo.

Como eu havia apostado no post anterior (não foi intencional, mas parece um trocadilho), o texto que a Veja usou era aquele mesmo. E como o NPTO havia comentado nesse post anterior, os caras tiveram a manha de colocar o EVC de ponta cabeça e colocar na boca dele exatamente o contrário do que ele escreveu.

Faça assim: leia o texto, depois leia a reportagem da Veja, depois dê 5 minutos de risadas em homenagem à estupidez dos repórteres da revista. Eles não entenderam. Tem gente que vai achar que é má-fé, que eles entenderam o texto e distorceram de propósito. Eu acho que é má-fé, mas eles realmente entenderam tudo errado. Imaginaram que estavam diante de um texto que confirmava o que queriam dizer (que tem índio demais no Brasil, no fim das contas) e colocaram lá as batatadas.

Que beleza!! Aí têm que escutar o autor do texto dizendo que eles fizeram tudo errado.

O tal texto do EVC é, no fundo, uma crítica ao pocisionamento do Mércio Gomes, ex-presidente da Funai, a respeito de uma fala deste último reproduzida no Estadão em 2006. EVC teve o cuidado de duvidar, à época, da veracidade da transcrição do Estadão. O que EVC queria era se colocar contra a posição do Mércio naquela suposta transcrição, que a Veja também utilizou na mesma reportagem. Só que, pasmem, os caras tiveram a capacidade de achar que a posição do EVC era a mesma do Mércio. Que beleza!

Não bastasse isso, o próprio Mércio, em seu blog, espinafra a tal reportagem, colocando-se contrariamente a tudo que ela diz.

Ou seja, os caras erraram em tudo.

Sobre igorreno

Antropólogo, professor no depto. de ciências sociais e do programa de pós graduação em antropologia da UFSCar. Coordenador do Laboratório de Estudos Migratórios.

6 respostas »

  1. Igor, eu acho que vindo da Veja, é sempre os dois: burrice de alguns, e má fé de outros… Acho um absurdo esse tipo de coisa acontecer, mas enfim… de absurdo em absurdo a vida continua!

    Responder
  2. Fiz um texto simples, sem entrar em méritos antropológicos, questionando a matemática esotérica da matéria da Veja ao falar das terras indígenas, de quilombo e unidades de conservação.

    http://faire-savoir.info/2010/05/04/a-farra-do-jornalismo-oportunista/

    Sinta-se a vontade pra reproduzi-lo na íntegra!

    Responder
  3. Essa imagem torna irresistível compartilhar com você algo que escrevi em 2005 – desculpe a relativa extensão:

    11.1.2.3 CURSO DE PEDAGOGIA, LICENCIADO, DISCIPLINAS PEDAGÓGICAS: A CASA COM ALICERCES NO TELHADO

    Na vida cotidiana, provavelmente nada é tão freqüentemente hipostasiado quanto os nomes – seja pela compreensível leviandade do senso comum, seja pela própria natureza da cultura burocrática (de certa forma ela inteira uma gigantesca hipóstase).

    Poderíamos comparar nomes a telhados com os quais se cobrem construções, e que são usados para identificá-las pelo nosso olhar cotidiano aéreo e superficial (ou “à vôo de pássaro”, como dizem os franceses). O problema é que, sendo esse telhado o primeiro que vemos nas coisas, terminamos por considerá-los o essencial, o estrutural, o fundamental… como se uma casa permanecesse a mesma se lhe substituíssemos tudo – material, planta, funções – menos o telhado.

    Podemos ainda imaginar que um chef coloque em sua cozinha um frasco caprichosamente pintado com a palavra “orégano” e advirta seus auxiliares: “esse frasco jamais pode estar vazio”. O orégano inicial acaba, e os auxiliares diligentemente preenchem o frasco com o que têm à mão no dia: hortelã, losna, capim, quem sabe até cicuta – porém não desrespeitam a ordem de que a cozinha precisa ter um frasco “de orégano” (ou seja: rotulado “orégano”) que não esteja vazio.

    Não é outra coisa o que nosso caro PP18 faz com um frasco chamado “Curso de Pedagogia” – um nome pré-existente que por alguma razão parece importantíssimo preservar a qualquer custo, provocando lutas sobre se deve ser preenchido com isto ou com aquilo ou com qual mistura disto e daquilo… – Exageramos? Citemos literalmente de 2.6 (destaques nossos):

    “As necessidades de reformulações do curso de Pedagogia não se esgotaram neste Parecer, sobretudo pelo fato de a delimitação epistemológica da Pedagogia como ciência da educação, ou não, ainda estar em construção.”

    Temos aqui uma declaração literal de que se tem oferecido e se pretende continuar oferecendo um curso não se sabe de quê. Mas isso não tem grande importância, não é mesmo?, conquanto se preserve o nome – que afinal já tem clientela formada…

    Só nos resta lamentar pela pobre Epistemologia, tendo seu nome invocado para enobrecer o que não vai além de uma taxonomia burocrática!

    (em http://www.tropis.org/biblioteca/pc11-formamestres.doc )

    Responder
  4. Cara, legal esse texto e legal a relação com a imagem. A internet é um lugar de conexões inesperadas!

    Responder

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