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Hiper ultra mega blaster power pós-pós-pós modernidade

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Eu e Cassiel no carro, indo pra escola.

Eu coloco um som, ele encana numa música e pede para colocar no repeat. É um Beck, golden age.

Depois de duas escutadas inteiras, ele me pergunta o que significa. Eu tento ir traduzindo.

Depois de traduzido, ele me diz: “Pai, não entendi nada”. E completa: “era melhor não saber”.

Fiquei intrigado, mas já estávamos chegando.

Hoje, mesmo percurso, ele pede a música de novo. Eu coloco e pergunto: o que você imaginava que a letra da música dizia, filho?

“nada, pai”.

Como assim? “nada, pai, é mais legal não saber, pode ser qualquer coisa”.

Basicamente, é o fim do significado, quando qualquer coisa pode ser. Fiquei pensando sobre o que isso significa (num registro, obviamente, diferente do registro de Cassiel). Ele vive uma vida tão entupida de significados e informações (tv, video game, escola, esportes, mais tv e video game) que as coisas devem parecer mesmo como “pode ser qualquer coisa”. As crianças já estão crescendo hiper ultra mega blaster power pós-pós-pós modernos, não há saída.

Duzentos sociólogos vão me dizer que o problema é meu conceito de moderno, quatrocentos antropólogos vão me acusar de melancolia imperial (principalmente os Deleuzianos), e os filósofos vão fazer o que sempre fazem (vamos ler de novo essa passagem?).

Eu me contento em constatar. O mundo do Cassiel é outro mundo e qualquer significado serve, então nenhum serve. Talvez seja bom, talvez seja ruim, como tudo na vida. Talvez ele seja um super crítico de quaquer narrativa impositiva e autoritária (como os nossos comerciais de banco), talvez ele aceite qualquer coisa como válida. Espero pelo melhor.

E no fim, ele pode ser capturado. Estou em Ribeirão Preto e ele pode crescer um adolescente que encontra o sentido pleno e “Moderno” em canções dessas duplas sertanejas.

Prefiro a incerteza do mundo dele!

obra de Alwar Balasubramaniam

Sobre igorreno

Antropólogo, professor no depto. de ciências sociais e do programa de pós graduação em antropologia da UFSCar. Coordenador do Laboratório de Estudos Migratórios.

2 respostas »

  1. Cara.

    Você. É. Muito. Hilário.

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!

    Só o título do post já quase me matou de rir!!!

    Responder
  2. Putz,

    E ai? Pô cara, vc está filmando seu filho? Vou perguntar de outro jeito: PQP VC! Vc está registrando esse momentos únicos do crescimento do seu filho?

    Eu te falei pra comprar o wii. Faz bem, melhora a coordenação, os reflexos. Nossa geração não tem noção disso.

    Vou te dar outro conselho. Grave tudo que puder. Foto é legal. Mas vídeo, cara, putz. Dá vontade de chorar.

    Eu tenho filmado os meus desde muito tempo (instintivamente comprei uma filmadora na loka, sem dinheiro sem nada, só comprei). E venho filmando, filmando.

    Só agora parei pra “baixar” pro computador. Putz, é d+. O tempo voa. O tempo, esse maldito carrasco com um chicote de aço nas mãos, maltrata a gente. Principalmente quem é Pai.

    O único alivio que temos contra o fato que nossos filhos estão crescendo rápido demais, é a nostalgia de saber que, um dia lá atrás, num momento singular, eles repentinamente surgiram, e nos transformaram de uma uma forma, indescritível.

    E pra isso, o vídeo ajuda.

    PS.: Boa trilha sonora.

    Responder

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