A guerra em Belo Monte

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Há grandes perdedores na política desenvolvimentista atual do Governo Lula: as populações indígenas. A construção da usina hidroelétrica de Belo Monte, no Xingu, levará o caos àquela região. Ontem, índios kayapó ameaçaram guerra, caso o projeto siga adiante. (clique aqui) . Para se ter uma idéia e entender Belo Monte, veja o clipping organizado pelo ISA). O parecer técnito emitido pela FUNAI em 29/10 tem sido violentamente criticado: é contraditório , foi construído por técnicos inexpressivos e representa a voz de comando dos desenvolvimentistas (encarnada no ministro Lobão, que acusou quem está contra o projeto de “forças do diabo”) (clique aqui – esse post é de ex-presidente da FUNAI), etc. Vozes internas à FUNAI protestam veementemente contra essa autorização  (um “nada impede”) em emails que circulam entre antropólogos e indigenistas.Vários representantes de populações indígenas assinaram protestos contra Belo Monte (moção de repúdio de várias lideranças ; carta protesto kayapó ; aviso dos protestos). O caso será levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos . O Ministério Público está preocupado com o desrespeito à opinião das populações afetadas .

Veja aqui o ofício da Funai ao Ibama

Veja aqui o relatório técnico da FUNAI

Olha, o PAC é fundamental para país, mas não se faz desenvolvimento atropelando as populações historicamente marginalizadas. Esse erro do Governo, empurrando um relatório pífio goela abaixo de populações que serão diretamente atingidas, vai custar muito caro. Não se brinca com Kayapó. As consequências funestas virão bem no ano eleitoral, quando essa guerra anunciada acontecer de fato e o governo descobrir que criou um monstro (os kayapó chamam Belo Monte de Belo Monstro).  Não se sacrifica tudo por uma eleição.

Enquanto isso o site da Funai é de um autismo retumbante. Nem menciona a construção de Belo Monte. Não menciona nem o nome do atual presidente: Marcio Meira.

Segundo reportagem de Alex Rodrigues , “leilão para a construção da usina está marcado para o próximo dia 21 de dezembro, mas ainda depende da autorização do Tribunal de Contas da União (TCU) e da concessão, pelo Ibama, da licença ambiental prévia. Em outubro, a Funai emitiu um parecer favorável ao Estudo e Relatório de Impactos Ambientais (EIA/Rima) da usina sobre a sua influência no modo de vida dos indígenas da região”.

Aguardem para o dia 21 protestos que serão ignorados, mas marcarão mais uma fase numa tragédia anunciada.

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2 comentários em “A guerra em Belo Monte

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