antropologia artística num meta-post

Um post para explicar outro. Explicar? bem, sei lá.

Esses dias fiz um post “duelo de titãs“, cujo assunto era uma série de fotografias, um título legal e uma mini-odisséia como apresentação.

É um brincadeira, é claro. Mas também não é, é claro. Brincando de fazer esse blog, para mim e para as 3 ou 4 pessoas que o acompanham, tenho tido um prazer legal, de pensar mais livremente e sem compromisso. Uma cornetagem qualificada, talvez.

Mas fico com vontade também de fazer algumas experimentações, aproveitanto o meio e as tecnologias blogueiras. Daí surgiu o “duelo de titãs”. Tentei, divertidamente, explorar uma narrativa que fosse antropológica mas não fosse um texto (ou um filme). Fosse alguma outra coisa. Saiu, dentro das minhas poucas possibilidades criativas, a idéia do duelo.

Uma série de fotos que tratam de um duelo entre dois brinquedos dos meus filhos (o cenário foi armado por eles, eu apenas herdei um campo de batalha). O título fazia menção ao que chamo de “capitalismo mítico”. Isso é uma brincadeira. Mas também não é, claro.

Tenho pensado já há algum tempo em como os antropólogos relegamos as qualidades míticas do capitalismo para um plano do “resquício”. É como se nada produzido pelo capital fosse real e puramente mitológico, como uma boa narrativa tukano, por exemplo (ok, foi um chiste inevitável).

Essa postura “pró-encantamento”, digamos assim, teve algumas configurações sérias, como no texto que publiquei na Mana (clique aqui). Nesse texto fiz uma etnografia do quarto dos meus filhos (e de outros) e a partir de uma curiosidade sobre aquela fixação por bichinhos e coisinhas em tudo que se refere às crianças, escrevi uma reflexão sobre totemismo “dentro de casa”. De alguma forma, dialoguei com autores como Levi-Strauss, para quem o totemismo tinha um lugar apenas periférico nas sociedades ocidentais. (eu truco).

Mas aqui no blog dá para brincar mesmo. E a palavra é adequada, já que toda essa reflexão deriva da intensa experiência de ser pai de dois meninos, de assistir com eles os desenhos, de brincar com o milhares de brinquedos, de jogar o video-game etc. (impossível fugir da referência do mundo das crianças).

Surgiu a idéia de produzir uma narrativa que fosse algo como uma “antropologia artística” ( e não antropologia da arte). Mas de fazer uma “intervenção” com uma outra linguagem para dizer coisas essencialmente antropológicas. No caso, o meu programa de mostrar que somos tão mitológicos como os outros. Será que funcionou? Sei lá, mas é divertido!

A pequena narrativa é apenas para causar alguma impressão no sentido que quero despertar: a disputa dos titãs é algo mais que brinquedos brigando. Claro, o texto foi completamente inspirado no Oleira Ciumenta, que estou relendo para homenagear a memória do LS.

Marcar uma estranheza que desperte um sentido mitológico das nossas narrativas. Ou não, sei lá. Estou pensando em outras intervenções. Vamos ver se sai alguma coisa!

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