Violência e violências: algumas comparações desavisadas

Quem gosta de futebol, acompanhou nesta quarta feira, uma sucessão de violências em dois jogos: palmeiras x grêmio e fluminense x cerro portenho. No primeiro, uma inusita sucessão de sopapos entre Obina e Maurício, ambos do Palmeiras.

Depois uma porradaria coletiva, entre os atletas do Cerro e do Fluminense:

O tom sobre as duas porradas foi bem diferente: a briga particular de Obina e Maurício foi amplamente condenada, porque prejudicava o time. Foi comum ouvir coisas do tipo: “isso é coisa do futebol, acontece, mas tem que ser resolvido no vestiário”. O tom geral era não a condenação do gesto de violência em si, mas o de sua publicização. O moralmente correto, deduz-se, era que os sopapos fossem trocados no vestiário e não no campo. A violência em si, segundo comentaristas e jogadores, é normal, coisa do jogo.

Já a outra porradaria teve condenação pela “covardia” dos jogadores do Cerro, que agrediram até um gandula. A reação à covardia foi tida como normal, coisa de macho mesmo. As declarações do Fred ao final foram contundentes, mostrando, de certa forma, que a reação dos jogadores só podia ser o revide. A repercussão na imprensa não condenou os jogadores do Fluminense: apenas lamentou a covardia dos paraguaios (termos da imprensa, não meus).

Assim, temos uma violência justa e outra injusta, mas não pelos atos em si (as duas envolvem pessoas se batendo), mas pelos códigos que uma delas quebrou (expôs publicamente uma violência que deveria ser privada) e por uma reação necessária a uma agressão covarde (nesse caso a resposta violenta correspondia ao código, era uma necessidade).

Mas no fim, alguém sempre pode falar que eram lá uns marmanjos se estapeando.

O que me interessa nessa história é entender como a gente pode ler essas condutas tão inconscientemente. Eu achei absolutamente normal a repercussão, entendi naturalmente as “regras do jogo”.

Depois, no dia seguinte, foi a cerimônia do Judô do meus filhos, na escolinha. Foi tudo bem, tirando que o Dimitri, o mais novo, ficou emburradão o tempo todo e só se soltou depois que acabou. Aí ele começou a brincar intensamente com o amigo Gabriel. E eles, claro, brincavam de luta.  Tapa para todo lado, sem dó.

O Dimi é o da esquerda!

A porrada de brincadeira (com consequências roxas) estava rolando alegremente até alguém dar bronca nos dois: “não é pra brigar, é pra lutar, tem que fazer direito”. Eu achei meio irônico, mas os dois entenderam na hora e começaram a “lutar judô”. Com a mesma intensidade e consequências, mas estava certo agora. Eis o resultado:

Moral da história: tudo tem suas regras, principalmente a violência.

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