Sobre a sensibilidade paterna

Vinha dirigindo, rumo à São Carlos, ouvindo o Lou Reed que tinha “resgatado” no dia anterior. Era o “Berlin”. Vinha distraído e pensando em milhares de coisas, a música como pano de fundo, apenas. De repente, escuto um choro de criança: daqueles magoados e desesperados. Que susto, e o choro continuava, junto com a música (era parte da música, mas levei uns segundos para perceber). A canção era “the kids”.
Cara, fiquei absolutamente passado. Aquele choro me incomoda até agora. E eu não prestava atenção à letra (clique aqui para ler). Se tivesse, teria ficado ainda mais impressionado – é daquelas letras do Lou Reed, submundo demais. Mas o choro ficou ecoando na minha cabeça.

Como um choque inesperado, aquilo ativou minha experiência paterna de um jeito psicanalítico, acho. Como um movimento impensado de artes marciais (estava indo para a defesa sobre o Kendô, do meu aluno Gil), depois fiquei pensando como aquilo aconteceu.
A gente carrega as lembranças o tempo todo, mas às vezes um Lou Reed pode tirá-las na marra.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s