antropologia sob ataque

Cara, a direita é muito mané.

Primeiro, por conta de Belo Monte, estavam inspirando um sentimento pró-indios prejudicados pela construção (como no Fantástico da semana passada). Os caras foram até os Xicrin Cayapó (onde minha amiga Clarice Cohn mantém conexões há anos) ver o ponto de vista dos prejudicados. Claro, como disse num post anterior, o caras da direita não estão realmente preocupados com os índios, estão é querendo atacar a Dilma, e usam o erro que é Belo Monte: colar na candidata a pecha de autoritária e desumana, além de levantar dúvidas sobre o processo de licitação.

Poderia até colar (e quem sabe forçar a um recuo em Belo Monte), mas os caras são muito manés. Logo em seguida, vem uma reportagem idiota da Veja (tá bom, foi um pleonasmo), acusando a antropologia de gerar “novos índios”, de montar uma fábrica de demarcação de terra a serviço de ongs do mal (o discurso reacionário básico). Mas como os caras são muito, muito manés, colocaram na boca do Eduardo Viveiros de Castro (EVC) palavras que ele não disse (confira aqui). É incrivel, o EVC é O cara da antropologia brasileira E mundial. Será que não se ligaram que essa mentira teria pernas curtas? Pegam justo o cara mais importante e mandam umas borrachas na boca dele, que estupidez. Que, aliás, é o que se espera da Veja. Mas é sempre possível que os caras coloquem o jogo num patamar ainda mais ridículo.

Como os caras inventaram palavras para o EVC, devem ter inventado também as do Mércio P. Gomes, ex-presidente da FUNAI (mas ferrenho opositor da direção atual da FUNAI). Ainda não vi nada no site dele. (mandei um comentário, vamos ver o que ele diz). Há também aquele documentário do José Padilha (“os segredos da tribo”) que eu não vi, mas que parece ir na mesma linha de vilanização (pegue uns dois exemplos de calhordas e generalize para todo mundo). Mas, bom, pode ser que não seja assim, quando o vir digo alguma coisa.

Porque a direita é mané? Well, porque quando articula um discurso que pode prejudicar a Dilma (a autoritária que atropelou os indios), já dá uma bordunada na própria tese, com esse discurso anti-antropológico, que no fundo é um discurso anti-indígena e contrário às demarcações de terra. E tudo na mesma semana, incrível. No post anterior, já avisava que o discurso pró-indígena era falso e oportunista, mas não esperava ver os caras expondo assim tão imediata e claramente a verdadeira opinião sobre os índios no Brasil.

E o resultado disso é uma ataque à antropologia por todos os lados.

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7 comentários em “antropologia sob ataque

  1. comentário curto, mas disse tudo e mais um pouco. VEJA é uma fábrica de minhocas ideológicas cuja única coerência é o reacionarismo.

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