Duas coisas que eu odeio e uma que eu odeio muito

Hoje vai um post mais longo, já que ficarei o feriado longe da net.

Lembra daquela série do Angeli, “Duas coisas que eu odeio e uma que eu adoro”? Era o máximo, não?

Pois hoje estou nesse espírito, só quem sem a “coisa que eu adoro”. Então vou fazer uma versão mais tenebrosa.

É que o mar não está para peixe, mesmo.

1) Não gosto do Serra falando da Bolívia, como é óbvio. Como é que o cara vem com essa conversa ultra-conservadora, chamando um país inteiro de narcotraficante? (sobre a Colômbia, nenhuma palavra) Esse discurso tem algum eco? Dá votos? Qual o sentido disso? Estimular mais preconceito contra os bolivianos? Esse é o resultado. Daqui a pouco todo mundo vai achar normal a semi-escravidão a que os imigrantes bolivianos são submetidos em São Paulo para que nossa classe média possa comprar roupas baratas nas grandes magazines. Porque o Serra não fala disso?

2) Israel arrasando comboios de ajuda humanitária. Acho quem nem é preciso falar o quão abominável foi o ataque ao Mavi Marmara. Mais incrível é que é realmente preciso que uns civis de outras nacionalidades morram para que o mundo se dê conta das barbaridades que a ocupação israelense da Palestina produz. Há um consenso que Israel se enfraquece politicamente (até o Villa admitiu, embora ele depois tenha continuado a própria ladainha). Eu acho que esses caras não estão nem aí para isso. O pior cenário é Israel ligando o foda-se: vai sobrar para todo mundo.

1) Essa eu realmente odeio: o discurso ultra-reacionário contra as populações indígenas que vivem no Brasil. Primeiro aquela reportagem da Veja, depois acharam um antropólogo pastor mega-reacionário para dar legitimidade à palhaçada (vejam os comentários ao meu post anterior sobre o assunto e vocês vão entender). Mas se fosse só isso e só nesse campo que a gente pode reconhecer como historicamente comprometido em F* os índios, ainda não era tão ruim. Mas o problema mesmo é que desde Belo Monte, uma parte significativa da esquerda, para defender a Dilma a todo custo, começou a comprar o mesmo discurso: agora quem é contra Belo Monte é um antipatriota (assim como o Aécio) que defende a internacionalização da Amazônia. Querem um exemplo? Vejam aqui.

E vivemos esse clima horrível para as populações indígenas, quando o discurso dos generais de pijama parece ganhar espaço justamente pelas mãos de uma esquerda ultra-nacionalista. E a Bia Santos me lembra que vem aí o projeto de lei regulando a exploração de minérios em terras indígenas. Será que é por acaso que o discurso anti-indigena está na moda? Está cada vez mais difícil votar na Dilma.

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Um comentário em “Duas coisas que eu odeio e uma que eu odeio muito

  1. Está cada vez mais difícil votar na Dilma.. pelo menos no primeiro turno acho que me cabe demonstrar minha insatisfação com esse discurso desenvolvimentista-oportunista.. já q o PT tá surfando na onda… é duro, mas é um fato. Infelizmente…

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