A copa e a migração V

O futebol está conectado, atualmente, a duas diásporas. Em uma delas, o efeito no futebol é incedental, na outra, o futebol é efetivamente causa. A diáspora imigrante no mundo atual (da qual os brasileiros são parte), relacionada tanto às histórias coloniais, às relações de vizinhança entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, produz a circulação de gente e uma parte dessa gente consegue dois passaportes.

A fase da duplicidade dos passaportes produziu o efeito que vemos atualmente no futebol moderno. A diáspora incedental no futebol: imigrantes e seus descendentes têm, às vezes, possibilidades de escolher entre nacionalidades, quando a questão é servir alguma seleção nacional.

Tomemos o exemplo da seleção alemã atual: muito semelhante às seleções francesas, é uma coleção de descendentes de imigrantes.

O Khedira é filho de tunisiano, o Aogo, de nigeriano e o Jeremo Boateng, filho de ganês (e tem um irmão que preferiu jogar por Gana – entrou em campo hoje). Serdan Tasci e Mesut Ozil, são filhos de casais turcos. Marko Marin é Sérvio (nascido na Bósnia, porém), naturalizado alemão. Mario Gomez é filho de espanhol, Piotr Trochowski, Klose e Podolski são poloneses naturalizados alemães. A dupla Podolski e Klose são um caso mais intrincado: são Aussiedler, aqueles cujas famílias têm origem alemã, emigrados para europa central, do leste e mundo soviético, que “retornaram”. O acolhimento desses retornados foi uma consequência da guerra fria, mais que uma política étnica de nacionalidade (para saber mais, clique aqui).

São os efeitos da circulação das pessoas no futebol. E são inversamente proporcionais à recepção que esses imigrantes têm em seus países, ironicamente. O imigrante comum é um f*, mas se joga bola bem, pode virar herói do país para qual emigrou (ou seus pais, ou até avós).

Mas a seleção alemã também tem o Cacau, jogador brasileiro que está lá desde os 18 anos. O de Cacau é o caso da Diáspora causada pelo futebol: de uma galera se movendo por aí para chutar a pelota. Em outros posts falarei disso e também da interseção entre a diápora incidental e a futebolística: quando são os filhos de jogadores “imigrantes” que vão representar o novo país.

Klose e Podolski

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Um comentário em “A copa e a migração V

  1. E tem dois fenômenos, um mais antigo e outro desta copa:
    1. Países subdesenvolvidos com representantes de imigrantes, como o Chile, que tem um filho de haitiana, e a Argélia, que tem mais de metade do time composto por… franceses!
    2. O domínio completo de treinadores europeus sobre os times africanos e, em menor medida, asiáticos. Acho um bom índice não tanto do desenvolvimento africano, mas da mentalidade futebolística do continente, a mania de contratar qualquer técnico europeu, o que matou o desenvolvimento do continente, que desde Camarões, em 90, ficou só na promessa.

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