Centrismo amestrado

Ok, a gente aprendeu com o PT que política é mesmo política e sem respaldo no congresso a coisa é feia. Que venha o PMDB, aprendemos.

Durante um tempo fomos nos acostumando a um novo PT, de centro, não mais de esquerda. Tudo passou por uma espécie de higienização centrista: política econômica conservadora (até cheguei a gostar do Palocci), alianças pragmáticas (engolimos o Sarney derrubando o Lago e os Capiperibe). Tudo em nome de um avanço gradual, apoiado nas políticas sociais (a única revolução de fato no governo). Não digo que não aprendi, digamos, o valor desse pragmatismo centrista, com o centro em uma política de distribuição de renda mais ativa. Bom, fomos amestrados nesse negócio aí: tudo pelo social, um outro diria.

Daí veio Belo Monte. Isso realmente não passa na minha garganta, pelos motivos que já expus por aqui. E o meu adestramento começou a pifar lentamente.

Bom, ontem vi o Plínio de Arruda Sampaio no R7 / Record News e tomei um choque. Cara, o bom velhinho lá do alto de seus 80 anos destilando, com a maior serenidade, uma proposta de esquerda que agora eu só consigo pensar como “radical”, mas que antes do PT assumir me parecia óbvia.  Aquilo me fez um bem danado: educação completamente pública, saúde também, governo colombiano é uma ditadura etc, etc. Como uma espécie de bálsamo, ou uma loção de limpeza desse centrismo amestrado no qual o PT me enfiou. Gostei daquilo, basicamente. Não vi tudo, mas se o cara for contra Belo Monte pelos motivos corretos (porque fode com os índios do Xingu), sou capaz de votar no cara.

Lembro-me do Vicente, filho dele e amigo nosso do IFCH, dizendo como o pai era, inicialmente um cara à direita no PT (pelo vínculo com a igreja) e como, com o passar dos anos, o PT foi passando à direita e ele foi ficando no mesmo lugar: progressivamente mais à esquerda sem ter de fato mudado de posição política. Ficou tão à esquerda que teve que sair do partido.

Talvez o centrismo fosse um passo necessário, sei lá. Mas que ele apagou uma perspectiva mais revolucionária de transformação social, ah isso ele fez. Seria ótimo que o bloco de esquerda de verdade crescesse para um patamar mais alto de representação politica (tipo uns 15%), para ao menos termos um contrapeso que descentrasse o PT desse pragmatismo entediante: tem que ter uns caras buzinando o centrão petista, chamando os caras de reacionários, para ver se eles saem do marasmo e enfrentam um pouco mais as mazelas do país (tipo pelo menos deixar de lamber as botas do Sarney).

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4 comentários em “Centrismo amestrado

  1. Puta post cara. Nao pq concorde, mas pq causa reflexao. E isso nos falta no momento. E se isso começou com o Plinio (não tive tempo de assistir a sabatina) vou ter que arrumar um tempo pra assistir por causa disso enfim.

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