liturgia da derrota

O que há de comum entre a “crise de identidade dos dekasseguis” e o William Waack no Globo News painel?

Há um mesmo princípio argumentativo, veremos.

Antes, uma ressalva. Não voto na Dilma, voto no Plínio. Acho que o desenvolvimentismo da Dilma criou desenvolvimentistas desumanos, que acham que sacrificar a forma de vida de uns 1000 kayapós para levar energia para o desenvolvimento da nação é plenamente justificável. Criou o exército dos pragmáticos desiludidos, os caras que são de esquerda mas perderam a noção de justiça social. Enfim, a galera do centrismo amestrado, mas essa é outra história.

Claro, o Serra é como uma maldição das tumbas do faraó. Ninguém merece.

Quando a eleição parece decidida (embora o Villa ainda ache que dá para virar), os caras que empenharam sua credibilidade (?) na defesa do nosferatu tucano precisam articular uma saída honrosa. Como é que se faz?

Nosferatu tucano abraçando o William Waack

É fácil, é só fazer o que os intelectuais que estudam a identidade de grupos variados fazem quando não conseguem explicar o que acontece: jogam a culpa nos sujeitos estudados. Esses têm “identidades em crise”, “identidades incompletas”, “identidades fragmentadas”, ou qualquer identidade seguida de um adjetivo desqualificador.

Nesse Globo News Painel do dia 04 de setembro, a discussão girava em torno do eleitorado “narcotizado” pelo sucesso econômico do governo Lula. A chamada na página da Globo News tem a seguinte pérola, criando um novo conceito que vai pegar entre os que jogaram a reputação no colo do Serra:

“Os convidados deram uma abrangência muito maior aos processos políticos em relação a narcotização do eleitorado”.

É isso: a culpa de tudo é do eleitor, que foi narcotizado pelo Lula e não consegue ver a verdade: que não se deve eleger a Dilma.

Se o povão não vota direito, a culpa não é dos Willians Waacks da vida. É do povão narcotizado (e do narcotizador). Engraçado que quando esse mesmo povão elegeu o FHC na esteira do plano real (e do sucesso econômico gerado por ele) ninguém era narcotizado.

Povão chapadão na concepção da Globo News

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Um comentário em “liturgia da derrota

  1. Bom texto, Igor!
    Especialmente sua crítica ao desenvolvimentismo de Dilma, que também me preocupa.
    Todavia, sei lá… acho que o buraco é mais embaixo ainda, rs!
    Mas, na época eleitoral todas as tensões latentes explodem e a gente consegue analisar melhor… Tinha um texto de antropologia que falava isso, né? Alguma coisa sobre momento ritual… Ixi, faz séculos que não leio. Infelizmente!
    Abraços!

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