A propaganda literal

As propagandas geram sensações que vendem. Isso todo mundo sabe.

Esse processo era usualmente discreto, a propaganda gerava uma sensação que era percebida inconscientemente pelo consumidor. De uns tempos para cá, tenho a impressão que a regra mudou.

Será que os publicitários não confiam mais no público? Agora eles estão sendo literais.

Numa propaganda de Carrão, o cara grisalho vai ficando menos grisalho, vai rejuvenescendo. (clichê, ok). Mas a propaganda não se contenta em mostrar isso: ela diz, com todas as letras: “quanto mais longe você vai, mais jovem você fica”.

Noutra propaganda de desodorante para mulheres, a moça se sente como se estivesse saindo do banho o dia todo. Ela aparece sempre de toalha em situações do cotidiano. Bem bacana, até. Até o final, quando meio dançando ela passa a mão nas axilas e diz como se sente “fresca”. Passar a mão no sovaco? É isso mesmo.

Os publicitários não são otários, nunca foram (ou não?). Essa virada literal parece um julgamento sobre o consumidor: esse sim é o otário incapaz de sentir inconscientemente: precisa ser tutelado até o final. As propagandas não querem permitir outras interpretações… A dúvida é se elas são apenas autoriárias ou se, além disso, elas indicam um emburrecimento geral do consumidor. Ou será dos publicitários? Ou de todo mundo?

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