Sobre mimados, urubus e repressão.

Assistimos às consequências da grande estupidez que é colocar a PM no campus (seja ele qual for).

Vamos combinar: pros caras da PM, o aluno fumando maconha e o cara roubando o carro são a mesma coisa. Acrescida de um certo prazer mórbido em dar borrachada em garotos “mimados”.

Vamos combinar: PM prendendo aluno fumando maconha não diminui em nada a violência do campus. Mas se você coloca a PM no campus, é só isso que ela vai fazer: com um protocolo de revistar, achacar, e considerar todo aluno um maconheiro mimado.

Vamos combinar: Se um reitor põe pra dentro a PM, não é pra “diminuir a violência no campus”, por ele sabe (como todos sabem), que a polícia só vai aproveitar para borrachar os alunos. Portanto, o motivo só pode ser o óbvio: o reitor quer achacar os alunos. Criar o clima de repressão básico.

Então, vamos combinar: lutar para que a PM saia do campus é uma luta digna, em favor da democracia e contra a repressão política. A repressão policial aqui é só a parte visível de um política repressiva, que tem no Rodas a cara evidente.

Mas vamos combinar: quem colocou o Rodas lá, numa eleição que ele perdeu, foi o Serra. Portanto, essa política de repressão tem só um nome: Serra.

E todas as manifestações na mídia de prazer incontido com a polícia descendo a borracha nos alunos (os mimados do Dimenstein e cia.) são só uma expressão da política de repressão que a direita conservadora paulista está espalhando.

Não é à toa que o alvo é a FFLCH, principalmente. Quando os jornais falam dos alunos, tendem a dizer que há alunos do “bem”, que não são favoráveis aos alunos do “mal” (da FFLCH): são os da administração, em geral. É a FFLCH, com todas as demais faculdades, centros, departamentos de ciências humanas no Brasil, que forma intelectuais críticos. Também forma conservadores, mas não o suficiente para a direita paulista ficar tranquila.

Então, vamos combinar: a polícia está no campus da USP para calar a FFLCH, não para trazer segurança para ninguém.

Alguém em sã consciência pode dizer que 80 viaturas de polícia para lidar com 70 alunos é sinal de segurança?

Não entro no mérito ou não da invasão da reitoria. Talvez não tenha sido a melhor estratégia política. Mas o mérito da reivindicação é incontestável: Fora PM!!

E antes que me venham com a história da maconha, vamos combinar: essa galera que enche o peito para recriminar os “mimados” cansou de fumar maconha na graduação. Um deles, da folha, inclusive, estudou comigo… Prender aluno fumando maconha não diminui violência, bem como prender pessoas fumando maconha em qualquer lugar.

A PM é um instrumento político de repressão na USP, empurrada por avaliações políticas de que o público em geral se delicia com o gozo geral da borrachada nos alunos.

A mídia se apropria disso como um ataque à universidade pública. Você sabe, se os alunos são mimados, querem o campus só para fumar maconha, porque o Estado vai bancar essa farra?

Então vamos combinar para terminar: A USP tem um reitor cuja principal função é preparar um movimento para privatizar de alguma forma a própria USP. Aprofundar os esquemas das fundações, cobrar mensalidades, voltar a fazer o público da USP ser o que se espera: os filhos da elite paulistana (pagando caro por isso).

Pois você sabe: o problema com a distribuição de renda é que muita gente entra na USP sem ser da elite, principalmente na FFLCH. E essa galera pode ser crítica demais, e um empecilho às políticas de ataque à universidade pública. Os caras querem reencastelar a USP mesmo que tenham que pagar por isso.

A polícia no campus é uma forma de liquidar a oposição à privatização branca de antemão.

Se você caiu na conversa dos mimados, está sendo tremendamente ingênuo: quem é chamado de mimado aqui é justamente quem pode resistir a um verdadeiro processo de colocação de mimados na USP. Os filhos dos que agora babam de ferocidade contra os maconheiros da FFLCH.

Portanto, a conclusão só pode ser uma: PM fora do campus, já!!!

Foto da elite paulistana encarando a USP
Anúncios

2 comentários em “Sobre mimados, urubus e repressão.

  1. Só discordo do fim da análise quando fala que o propósito maior é a privatização. Talvez seja, mas não com o intuito de cobrar mensalidades ou coisa assim. A privatização que farão na USP é transformar a universidade em correia de transmissão do mercado. A formação será (como já é em boa parte dos cursos) voltada unicamente a garantir às empresas fonte segura e barata (posto que os contribuintes que continuarão arcando com a grana) de mão de obra qualificada. E por isso a perseguição e demonização da FFLCH: não só porque lá é o polo mais forte da resistência contra este modelo mas também (um é condição do outro) por ser a FFLCH a principal unidade a renegar a idéia de formação (às vezes até equivocadamente – como no pouco caso da faculdade com a formação de bons professores para o ensino básico e médio) “prática” para seus alunos.

    1. Cara, talvez você esteja certo e seja só uma privatização “espiritual”. Mas não acho que os caras abriram mão de um política mais agressiva não. Estão tentando criar o ambiente para entrar de sola, talvez. De qualquer forma, é uma merda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s