Europa, crise, direita, imigração e esperança?

O avanço da direita neonazista na Europa é alarmante. Na Grécia, o partido neonazi vai ganhar lugar no parlamento, com as singelas medidas de combate à imigração: criar campos de concentração, utilizar o trabalho forçado (trocar comida por trabalho) e depois expulsão sumária. Em outros países o avanço é assustador, como na França da LePen Filha. Na Finlândia, e extremistas quase levaram as eleições em 2011; Noruega, Áustria, Suíça e Holanda têm pelo menos 15% dos eleitores apoiando a extrema direita xenófoba. Para um quadro, veja aqui.

Aqueles que, como eu, estudam os movimentos migratórios, se assustam com esse movimento reacionário, que condena os estrangeiros pela crise econômica européia. (E para um comentário em paralelo, aqui se pode ver na prática a importância do conhecimento antropológico, que poderia ser um antídoto a essa catástrofe).

E ficamos ainda mais indignados com o fato de que a crise não é culpa dos imigrantes, mas dos próprios europeus e seus partidos conservadores e pelo mantra da austeridade. Mas temos a crise, depois temos a culpa imposta ao bode expiatório errado: os diferentes. Tudo para não ver a própria culpa nessa história.

E a culpa desse fortalecimento da ultra-direita é também da infame esquerda européia, que não fez mais que reproduzir o manta conservador da austeridade. Viraram partidos de centro direita, deslumbrados com o poder do mercado, ou enganados ingenuamente pelo canto das sereias financeiras.

A ironia disso tudo é que a melhor política anti-imigração é justamente a crise econômica dos conservadores: com a redução de empregos, a imigração diminui, como está diminuindo (sul-americanos voltando, novos focos de migração internacional). Não era preciso uma política de ultra-direita para reduzir a migração, basta enviar os países numa crise sem perspectivas. O problema é que sobra pros nacionais, claro. Eis o dilema, quem conseguir crescer economicamente atrai imigração, e tem que enfrentar uma direita extremista forte.

A miragem pan-européia que vive a esquerda, acreditando que o europeísmo é a solução só piora o quadro. A comunidade européia é e sempre foi um quintal da indústria alemã, que agora grita austeridade a qualquer ameaça aos fluxos de capital para o seu sistema econômico. E a esquerda perdeu o discurso de defesa da indústria nacional e dos empregos nacionais para a extrema-direita, que fracasso. Esquerda sem discurso, direita que só quer defender o sistema bancário e direita extremista nacionalista. Que cenário lamentável.

A esperança é que o socialismo francês (teremos eleição amanhã) consiga quebrar o modelo e rompa com o círculo recessivo da austeridade. Recuperar um discurso de esquerda nesse mar conservador, olhar para a Islândia como exemplo a seguir: colocar o financismo em questão (no caso deles, na cadeia) e fazer outra coisa, que não seja criminalizar os imigrantes pela estupidez européia.

Na foto acima, a direita financista em destaque

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