Batman Tea Party

Passei por quase três horas para chegar ao final do filme, mas tive que ir ao banheiro duas vezes. Maldito balde de coca-cola (que era pepsi). Ah, que coisa esse filme: depois da guerra fria, me senti como alvo de propaganda anti-comunista. É que provavelmente o occupy wall strett é a coisa mais comunista nos EUA, e esse negócio parece estar exigindo respostas ideológicas à altura. E esse filme do Batman é isso: propaganda anti-comunismo juvenil americano.

Mas é descarado, sem pudores mesmo. O enredo é construído para você ter dó dos ricos. Sabe como é, o Bruce Waine tá doidão, meio Howard Hugues, desligado do mundo. E, veja só, enquanto isso suas empresas vão indo pro buraco, ai que dó. O pior é que agora ele não pode fazer mais doações para um orfanato (do qual o futuro Robin sairá). Claro que isso aí não é problema do Estado, um orfanato sem grana. Primeira lição: os ricos devem se manter ricos pra fazer ações beneficentes.

E quando vem a revolução, ela só pode ser feita por bandidos ensandecidos, que propõem o extermínio dos ricos. Coitado do mundo, quando os ricos saem de cena, só sobra o caos absoluto, e aí o Batman vem nos salvar dos pobres descontrolados. Colocar de novo no lugar os ricos bonzinhos, e fazer a ordem do universo voltar ao lugar.  Pobre sem governo é assassino (por isso o filme tem uma fixação com prisões). Pobre com governo é… bem, é pobre esperando boa ação do Bruce Waine.

Resumindo é isso: simples, direto e megaconservador (é a expressão ideológica para o Tea Party).

Mas o realmente interessante é como a crise americana desespera os caras a ponto de fazer já a produção da ideologia anti-revolucionária. A pergunta é: já é pra tanto?

Abaixo a sociologia básica do Batman.

Procure em https://www.facebook.com/Biricotico para achar a fonte dessa tira aí!

 

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2 comentários em “Batman Tea Party

  1. Não assisti ao filme e nem irei.. Ainda mais agora, satisfeita, lendo sua crítica/crônica.
    Adorei a sociologia do Batman, um herói nada paradoxal… coerente até o último pelo do saquinho dele.. rs

  2. Ótima sacada e excelente argumentação! É interessante como Batman perpassou os anos (em diferentes versões) e como conseguimos lê-lo à luz das conjunturas e descolar, ao mesmo tempo, nossa nostalgia infantil (adoradora de heróis) e a percepção crítica que nos molda como intelectuais. Abração 🙂

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